quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Entrevista com o fotografo Mário Bock


Galera desculpe o sumiço, mas aqui estou novamente e com a entrevista que fiz com o colecionado de 3.200 câmeras, jornalista e fotografo Mário Bock.







Fotojornaliana - Como tudo começou? 
Mário - Sou jornalista profissional e em 1965 ganhei minha primeira câmera do meu pai, uma Kodak RIO 400. Daí minha mãe alemãzona, deixou eu montar meu laboratório b&p no meu quarto mesmo (era uma molhadeira só, fedida...) e a coisa foi, me desenvolvendo
como autodidata. Fazia fotos dos amigos, na escola, de uma academia de capoeira, das amigas, das festinhas, estava sempre com uma câmera na mão.  
Daí vieram os bicos remunerados, sempre pouquinho né, fotos 3x4, e logo no primeiro anos de faculdade arranjei um estágio em uma revista de construção pesada, depois trabalhei em uma revista de motos (Duas Rodas), onde fiquei por 17 anos fazendo textos e motos, depois em uma revista de Fotografias, a Fotografe Melhor, por 10 anos, testando câmera digitais, fazendo matérias técnicas e sobre câmeras antigas, hoje fazendo frilancers para ela. Atualmente, apesar da minha iadade (61 anos) sou fotógrafo super-atuante, me desloco de moto, faço fotos editoriais, institucionais, eventos corporativos e sociais, como aniversários de crianças, onde sou especialista.

Fotojornaliana - E quando começou a coleção ?
Mário - Comecei minha coleção em 1983, um colega jornalista me deu uma filmadora antiga, um Canon, coloque de “enfeite” na sala do meu apartamento, achei  legal e coloquei outra ao seu lado que já tinha, e aí foi. Hoje minha coleção tem mais umas 3200 câmeras fotográficas de todos os tipos e formatos que estão no terceiro quarto do do meu apartamento, um amontoado só, infelizmente.  Meu sonho e montar um museu aberto ao público, com explicações devidas de cada câmera, que posso fazer por ser fotógrafo atuante e entendido no assunto, claro. 

Fotojornaliana - Teve alguém que te ajudou ou foi comprando? 
Mário - Foram poucas as câmeras dadas, a maioria foi, e é, comprada nas feirinhas de antiguidades aqui em São Paulo, há 3 nos fins de semana, e mais recentemente adquiridas em sites de vendas de objetos usados e antiguidades.  É um “garimpo”permanente e gostoso, onde a meta é encontrar uma câmera bacana, rara ou que eu ainda não tenha por um preço justo, o que é totalmente possível. Com a chegada das câmeras digitais, a oferta de câmeras de filme (analógicas) está sendo enorme.

Fotojornaliana - Alguém já quis comprar sua coleção?
Mário - Não, aqui no Brasil não há essa  possibilidade, neste ano tem um casal me oferecendo uma coleção de 80 câmeras pelo preço de R$ 12 mil.  Difícil encontrar alguém disposto a gastar isso numa coleção,  comprando aos poucos item por item é bem mais fácil.
Com o preço médio de R$ 100,00 por câmera, acredito que minha coleção valha R$ 300 mil, acho que só um fundo de pensão  americano poderia encarar esse investimento. Aliás me preocupa muito o destino  da minha coleção.


 Fotojornaliana - E o que sua família, sua esposa diz a respeito da coleção?
Mário - Claro que minha mulher, dona Rosanna não compartilha dessa minha paixão pelas câmeras, e minha filha Debora, de 20 anos, ando informando sobre as câmeras e seu valor. Sempre digo que se não fosse esse meu hobby , que é muito caseiro, certamente teria outro, como viajar de moto, pescar, fotografar o mundo, de repente nem casado estaria mais, vai saber. E quanto ao que gastei na coleção, comparo com o gasto de minha esposa com cigarros, ela fuma muito.. Dá pra saber quanto ela gastou em cigarros nestes 31 anos, quer viraram fumaça. Já minha coleção está aí valorizando, pode garantir minha aposentadoria e melhor, fazendo minha alegria todos os dias. 


Fotojornaliana - Você é o maior colecionador do país?
Mário - Olha Ju, tem memo mais de 3000 câmeras aqui, pelo menos deu isso na última contagem, e posso mesmo ser o maior colecionador do Brasil. Só que minha coleção é eclética, aqui entram todas as câmeras de filme, brasileiras, alemãs, japonesas, de plástico, de baquelite, de madeira, de metal, as mais simples (como as Kodak Xereta, Instamatic e Disc) como as melhorzinhas, não precisam estar funcionando mas deve estar com boa aparência.  Agora conheço vários colecionadores que tem menos câmeras mas exigem que sejam raras, tenham bom estado, sejam de marcas conceituadas (como Leica, Rolleiflex, Zeiss Ikon), o que pode valer mais que ter um monte de câmeras.  Conheço a coleção de um empresário que mora aqui no bairro do Ibirapuera, cuja coleção só tem câmeras super-raras e valiosa, o primeiro Daguerreotópio, a primeira Leca, a primeira Rolleiflex. Muito bacana, mas uma coleção dessas não seria possível para mim, já me contento com as câmeras mais simples e ainda adoro quando
eu mesmo recupero sua aparência com um bom banho de pano úmido e detergente, uma limpeza com Bombril e cotonetes, e retoques com tinta preta e graxa de sapato.

Fotojornaliana -  Uma curiosidade.Onde guarda as 3200 câmeras?
Mário - Ficam aqui n o terceiro quarto do meu apartamento, como superlotaram as prateleiras, estão em caixas pelo chão, quase não dá mais para entrar. Para proteger da poeira estão todas em sacos plásticos, uma tristeza.  Bom, este meu quarto virou um depósito de câmeras, uma tristeza, mas mesmo assim continuo gostando da coleção e comprando mais câmeras. 

Para conhecer melhor o trabalho e a coleção do fotografo acesse www.flickr.com/photos/mdbock/sets/

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